Integração tarifária: fundamental para superar gargalos da mobilidade

- Atualizado 23/09/2026 17:09

A urgência de um pacto institucional e de soluções integradas de transporte deu o tom da participação da Agetransp no seminário "Encontros Metropolitanos", realizado nesta quarta-feira (23/9), no Palácio Guanabara. O presidente da agência, Adolpho Konder, comandou o debate que reuniu grandes nomes do setor público, privado e acadêmico para desenhar a agenda de infraestrutura e transportes que será entregue ao próximo governador do Estado.

Mediador do painel “O Futuro da Mobilidade Metropolitana”, Konder destacou a necessidade imediata de fortalecer o Instituto Rio Metrópole como o eixo dessa transformação. “Este seminário é um ponto de partida para a retomada do verdadeiro papel do instituto", afirmou o presidente da Agetransp.

Konder defendeu a ampliação do diálogo técnico e político entre as esferas federal, estadual com os municípios da Região Metropolitana fluminense, proposta respaldada pelo presidente do IRM, Roberto Leão, que abriu o evento. Também estiveram presentes o subsecretário-geral da Casa Civil, Sérgio Pimentel; a secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem; representantes do BNDES; entre outros pesquisadores, especialistas do ramo e políticos.

Foco em bilhetagem unificada e o desafio das tarifas
O painel trouxe diagnósticos sobre os desafios locais e exemplos externos de sucesso. O professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar de Almeida, alertou para o esvaziamento do transporte público. “É necessária a criação de políticas públicas que combatam a perda de passageiros para o transporte individual motorizado, o que tem elevado as emissões de gases poluentes”, pontuou Almeida, defendendo modelos eficientes de integração tarifária e bilhetagem unificada.

Como exemplo prático de que a integração traz resultados, o secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo, Fábio Damasceno, compartilhou o caso da Grande Vitória, onde a implementação de uma tarifa única metropolitana de R$ 5,10 ajudou a modernizar o sistema. Entre as medidas adotadas na região vizinha, ele destacou também a unificação de modais e a criação de uma ciclovia ligando a capital a Vila Velha, o que impulsionou o fluxo de usuários.

Impacto econômico e investimentos de longo prazo
Representando o setor regulado, o presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, abordou as severas consequências econômicas da falta de eficiência na mobilidade urbana. “O tempo perdido no trânsito derruba a produtividade e gera um custo logístico maior para toda a economia”, apontou.

Ramalho reforçou a necessidade de investimentos estatais contínuos e de longo prazo para a expansão da rede, destacando o cronograma de retomada das obras da estação Gávea, com previsão de entrega em 2028.

As propostas debatidas e consolidadas no evento farão parte de uma "Carta de Recomendações" que integrará a Agenda Metropolitana. O ciclo de debates do IRM continua no próximo dia 30/9, com painéis voltados para "Governança Metropolitana" e "Resiliência e Mudanças Climáticas".