A tragédia no trânsito brasileiro reforça a importância do Maio Amarelo

 

 

A morte de Mariana Tanaka Abdul Hak, de apenas 20 anos, no sábado (16/5), é um retrato fiel da violência crescente no trânsito brasileiro. Filha de diplomatas, ela foi atropelada em Ipanema, Zona Sul do Rio, por uma van que subiu a calçada, atingindo a jovem, a mãe dela e um terceiro pedestre. Mariana – que não resistiu aos ferimentos - tinha chegado neste mesmo dia da Itália, onde morou por muitos anos, e ia recomeçar a vida na capital fluminense. Não deu tempo. Acabou falecendo no mesmo dia, horas depois de chegar da Europa.

No Estado do Rio de Janeiro, só nos quatro primeiros meses deste ano, de acordo com registros do Instituto de Segurança Pública, aconteceram 787 mortes no trânsito. Uma vítima a cada três horas e meia, aproximadamente. Este é o maior índice desde 2011. O ISP-RJ também contabilizou 9.072 lesões corporais culposas no trânsito no Estado neste mesmo primeiro quadrimestre de 2026, o que significa a uma média de uma a cada 20 minutos (maior número dos últimos 10 anos).

Já no Brasil, nos últimos 15 anos, 565.382 pessoas morreram em decorrência de sinistros – uma quantidade de pessoas tão grande que supera a população total de países como Cabo Verde, Islândia, Bahamas, entre outros. O levantamento aponta que homens representam a maioria das vítimas, correspondendo a mais de 82% dos óbitos registrados, e que as mortes envolvem principalmente pessoas de 25 a 54 anos (54%).

Então fica mais do que evidente que precisamos abordar este problema com seriedade. E qual a importância do Maio Amarelo nesse contexto? Trata-se da campanha, de alcance internacional, que acontece anualmente, com ações de conscientização que integram poder público, empresas, escolas, entidades de classe e a sociedade civil com o objetivo de transformar a cultura no trânsito, lembrando que a segurança depende da responsabilidade de cada indivíduo. A relevância desse movimento é que se trata de uma questão muito grave: em nosso país o número de mortes no trânsito não para de crescer.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou aumento na mortalidade por acidentes de trânsito entre 2019 e 2024, passando de 15,8 para 18 mortes por 100 mil habitantes. Só em 2024, foram 38.253 óbitos, maior número desde 2019. Motociclistas lideram internações e óbitos.

A cada ano, o Maio Amarelo promove temas específicos para fomentar a empatia, a direção defensiva e o respeito entre pedestres, ciclistas e motoristas. Por aqui, o Movimento Maio Amarelo nasceu em 2014, criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), com o propósito de colocar a segurança no trânsito em pauta e reduzir o alto índice de mortes e feridos nas vias. A história do movimento tem início em 11 de maio de 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a Década de Ação para a Segurança no Trânsito (2011-2020).

Aqui na Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro estamos fazendo a nossa parte. Para reforçar a campanha, a Agetransp realiza ações de conscientização e fiscalização durante o Maio Amarelo em diversos pontos do Estado do Rio. Ao longo do mês, implementamos atividades de educação, orientação, fiscalização e aproximação com a população em rodovias concedidas (reguladas pela Agência) e passagens em nível do sistema ferroviário fluminense. As ações aconteceram até o dia 27 de maio, passando por diversas localidades como Itaboraí, São João de Meriti, Piabetá, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, entre outros.

Com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, a campanha deste ano buscou reforçar a importância da empatia, do respeito e da responsabilidade compartilhada entre poder público, concessionárias e usuários, com atenção especial à proteção dos motociclistas e demais usuários mais vulneráveis do sistema viário.

Adolpho Konder
Presidente da Agetransp