Presidente da Agetransp marca presença na Expo Favela
Como a política pode mudar a vida das pessoas nas favelas? Esta foi a abordagem principal de um debate na Expo Favela Innovation 2026, no Museu do Amanhã, que teve como um dos protagonistas o presidente da Agetransp, Adolpho Konder. Falando sobre Política na Favela, Konder dividiu o palco com o prefeito de São João de Meriti, Leo Vieira, e com o secretário municipal de Ação Comunitária do Rio de Janeiro, Gustavo José Freue, com mediação da empresária e diretora de Turismo Social do Sesc Rio, Adriana Homem de Carvalho. A Expo Favela, considerado o maior evento de negócios e inovação protagonizado por empreendedores da favela e da periferia, começou nesta sexta-feira (27/3) e vai até o próximo domingo reunindo dezenas de personalidades, políticos e empreendedores oriundos de favelas.
No debate, Konder destacou o potencial criativo e empreendedor desta população citando um estudo realizado pelo Instituto Data Favela que mostra que cerca de 40% dos moradores de comunidades do Rio têm um negócio próprio. Segundo o levantamento, 66% dos empreendedores dizem que têm dificuldade em conseguir crédito. E 33% dos moradores de favelas sequer tentaram buscar linhas de financiamento. “Quer dizer, existe uma demanda reprimida aí que pode fazer desenvolver ainda mais esse potencial. É aí que tem que entrar o poder público, que é o tema desse nosso debate”.
Em dado momento, a mediadora Adriana Homem de Carvalho questionou: “Quando se fala em políticas públicas, vocês entendem que a favela é ouvida?”. Konder respondeu à pergunta afirmando que o Congresso Nacional criou uma comissão específica para tratar de pautas relacionadas às favelas. Segundo ele, o tema tem sido debatido em diversas instâncias de poder, com a participação de associações comunitárias, representantes da sociedade civil e ONGs que investem na capacitação de moradores.
Konder comentou ainda que tem observado um aumento no número de pessoas oriundas das favelas ocupando espaços no Poder Legislativo e mencionou que a vivência desses indivíduos é fundamental para a construção de políticas públicas mais efetivas e direcionadas. Ele concluiu dizendo que percebe essa evolução de forma contínua. De acordo com o último Censo do IBGE, a população morando em favelas cresceu de 6%, no ano de 2010, para 8%, em 2022, atingindo o patamar de 16,3 milhões de pessoas, acrescentou. As favelas quase dobraram ao longo desses 12 anos e chegaram a 12.348, espalhadas por 656 municípios, segundo o Censo.