Presidente da AGETRANSP publica artigo sobre os desafios da mobilidade no Brasil
Adolpho Konder destaca a importância do planejamento técnico, da integração entre os entes públicos e do fortalecimento da governança para modernizar o transporte coletivo e melhorar a qualidade de vida da população.
O conselheiro-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (AGETRANSP), Adolpho Konder, publicou o artigo "Mobilidade urbana bem planejada reduz tempo de deslocamento, custo de viagens, poluição e previne acidentes", no qual analisa os principais desafios da mobilidade urbana no Brasil e apresenta propostas para fortalecer e modernizar o transporte público coletivo.
No texto, Konder toma como base o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério das Cidades. O estudo reúne um amplo diagnóstico sobre a mobilidade nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país e propõe estratégias para ampliar e qualificar os sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade.
Ao longo do artigo, o conselheiro-presidente ressalta que a melhoria da mobilidade urbana depende de planejamento técnico, investimentos estruturados e da atuação coordenada entre União, estados e municípios. Entre as propostas apresentadas pelo ENMU está a criação de Agências Reguladoras Metropolitanas, responsáveis pela regulação, fiscalização, planejamento e coordenação dos sistemas de transporte coletivo.
Segundo Konder, uma governança fortalecida contribui para aumentar a eficiência dos serviços, oferecer maior segurança jurídica aos investimentos e garantir mais transparência na implementação das políticas públicas voltadas ao setor.
O artigo também destaca a necessidade de integrar os diferentes modais de transporte por meio de sistemas de bilhetagem interoperáveis, com gestão pública dos dados e implantação do bilhete único metropolitano. A medida busca facilitar os deslocamentos da população, ampliar a conectividade entre os serviços e tornar o transporte coletivo uma alternativa mais eficiente e atrativa.
Outro ponto abordado é a reorganização das redes de transporte, acompanhada da implantação de centros metropolitanos de controle operacional e da modernização dos contratos de concessão e das parcerias público-privadas. De acordo com Konder, essas iniciativas podem elevar a eficiência operacional e aprimorar a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Conforme os dados apresentados pelo ENMU, os investimentos previstos têm potencial para gerar impactos significativos na mobilidade urbana brasileira, incluindo redução média de 15% no tempo de deslocamento, diminuição de 11% no custo das viagens, prevenção de aproximadamente 27 mil vítimas de acidentes por ano e redução de cerca de 3 milhões de toneladas de emissões anuais de dióxido de carbono (CO₂).
Para Adolpho Konder, o Brasil já dispõe de um diagnóstico consistente e de um plano estruturado para transformar a mobilidade urbana. No artigo, ele defende que o principal desafio agora é transformar esse planejamento em ações concretas, fortalecendo a cooperação entre os entes federativos e colocando o transporte coletivo no centro das políticas públicas de desenvolvimento e qualidade de vida.